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  • psicostapaulo

O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise

Chegamos ao final desse seminário, e olha, sobrevivemos! Pensa num grupo que foi se arrastando com as discussões propostas nesse retorno a Freud, proposta que se dedica principalmente ao “Além do princípio do prazer” artigo do qual Lacan se debruça para pensar na cadeia simbólica - como aquilo que excede o principio de prazer - que sua insistência estaria posta tal qual a pulsão de morte. Foi difícil, foi, e muito! Mas ninguém disse que iria ser fácil, mas poxa, nesse Lacan estava inspirado. E a nós, nos faltava fôlego.


Pelas saídas que se deram em meio as dificuldades, o que fica é: o que ainda nos fez insistir? Não deixo de pensar que tal qual em um trabalho de análise, por vezes, - e não são poucas - caímos nessas dificuldades. Esbarramos em um muro (de linguagem) difícil de transpor. Mas o que seríamos de nós sem os muros para pular. Lacan diz que a análise visa a passagem de uma fala verdadeira que junte o sujeito a um Outro do outro lado desse muro, ao Outro que dá a resposta que não se espera - como bem discutido na lição sobre a carta roubada de Poe, na qual sua significação nunca está onde suponhamos estar.


Foi interessante deparar pela primeira vez nas elaborações sobre a resistência ser sempre do analista, na apresentação inaugural do esquema L, nas diferenças entre sujeito (je) e o eu (moi), da relação intrínseca desse com o registro do imaginário, na descentralização do sujeito face ao eu “entre o sujeito do inconsciente e a organização do eu, não há apenas dissimetria absoluta, porém diferença radical”, o apólogo dos três prisioneiros onde já vemos um Lacan flertando com a lógica, assim como o jogo de par ou impar, as comparações do aparelho psíquico como uma máquina…


Uma máquina de significações sustentada pela organização imaginário do eu, contudo o que está para além da significação, para além do eu?


A. m. a. S.


Aqui temos esse agrupamentos de letras que estão dispostas não por acaso. Nos faz pensar que um não é sem o outro, ou seja, que a cadeia simbólica não se faz sem o alicerce imaginário. Que o eu (m - de moi) e o a (autre - de outro) intermedia essa passagem do muro de linguagem para a cadeia simbólica, onde se encontrará o A (Outro) e o sujeito (S).   


Ao que se repete e insiste, que o analista não venha a responder pelo (curto) circuito da significação, que o analista também esteja ali onde não o é esperado, que se possa operar para além da significação. E, que com isso, a carta (letra) circule, e quem sabe chegue a um destino.


Obrigado por fazerem circular as de vocês e as minhas.



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“Era uma demanda irrealizável, porque, afinal, quando você está num seminário de Lacan, você toma notas. Mas, depois, você volta para casa, e não vai começar a estudar essas notas, porque você é analista e tem de atender pessoas por cuja cura você assumiu a responsabilidade. É quando você vai refletir sobre o que você faz que as idéias que você ouviu no seminário poderão voltar ao seu espírito e esclarecê-lo sobre o seu próprio caminho. Se você se esforçar em escrever, produzirá um texto em que há idéias de Lacan, mas que, em seu conjunto, será da sua safra.”



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1件のコメント


cam2035
1月25日

Excelente

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